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Após muitas lutas e anos de reivindicações sobre os direitos femininos, somados à globalização e ao advento do neoliberalismo, encontramo-nos, hoje, com uma mulher muito diferente daquela de algumas décadas atrás.

As conquistas que viabilizaram à mulher  a aquisição de novos e importantes direitos, colocando-as, muitas vezes, em situação de igualdade com o homem, traz consigo ganhos significativos mas, coloca, ao mesmo tempo, questões importantes sobre qual é, afinal, o lugar que a mulher deve e pode ocupar no mundo.

Atualmente, a mulher encontra-se dividida em registros contraditórios… Profissional, social e politicamente ela pode ser um sujeito que batalha e é tão bem-sucedida, senão mais que seus parceiros masculinos. Ao mesmo tempo, continua sendo solicitada e cobrada no desempenho de outros papéis, afinal, a mulher é aquela que, além da vida profissional, tem que desempenhar a função de amante excitante de seu marido e de instância apaziguadora de seus filhos.

Conviver com estas diferentes frentes requer muito talento e, obviamente, boa saúde. Com relação a esta última, muitas informações vêm sendo divulgadas. Medidas preventivas têm sido tomadas como, por exemplo, na prevenção de diversos tipos de câncer que acometem, de forma particular, a mulher, as DSTs, osteoporose, enfim, uma gama de cuidados que a mulher encontra hoje em dia. Isso sem abordar os cuidados com a estética, uma vez que a beleza sempre esteve do lado feminino, pois para o homem, esta tem um lugar secundário, o investimento subjetivo na beleza diz respeito à mulher. Este fato tem tornado, atualmente, a busca por ideal de beleza (mais jovem, mais bonita…) uma constante na vida de muitas mulheres.

Pensamos, então, que, em meio a tantos afazeres, cuidados e necessidades, inúmeras vezes, o que fica de fora é uma parte fundamental, pelo menos para o campo da Psicologia, que é, justamente, o cuidado com a subjetividade.

Esquecemo-nos que o corpo funciona como um conjunto e que o bem-estar orgânico, assim como a beleza ou, o sentir-se bela estão, totalmente atrelados ao que se convencionou chamar de “emocional” ou “psíquico”.

Uma pessoa que não encontra-se em um ‘bom estado emocional”, provavelmente irá apresentar problemas de saúde, uma vez que  os afetos, ou seja, aquilo que nos afeta,  são sempre mostrados, senão por palavras, por sintomas das mais variadas formas. Formas que às vezes a própria medicina não consegue explicar a origem nem a manutenção. Também a beleza, tão almejada pelas mulheres, instrumento de sedução e de demonstração da feminilidade, vê-se afetada por esse emocional que pode não estar bem.

“A verdadeira beleza vem de dentro”. Este é um dito popular que comporta uma verdade na medida em que, só é possível sentir-se bela se essa beleza vier acompanhada de um valor, não aquele adquirido com a aquisição de grifes e de alto custo financeiro, mas sim, o valor que alguém pode ter e se dar como sujeito, aquele dado à própria imagem, que faz refletir a verdadeira beleza de cada um.

O que vem acontecendo nos últimos tempos é que, esse valor, em meio a tantas cobranças diárias e expectativas de que a mulher seja cada vez mais a “mulher maravilha”, cobranças e expectativas que nem sempre vêm de fora.  Muitas vezes é a própria pessoa que cobra de si, não é alcançado. Inclusive, a sensação que se tem é de que quanto mais se faz, menos se consegue. Isso porque, essa valoração do sujeito é algo que não deveria vir de fora, do outro, ele precisaria nascer em cada um. A imagem que eu faço de mim é quem vai me dar, ou não, esse valor.

E, para saber qual é a imagem que eu faço de mim, é preciso parar e interrogar-se sobre a própria subjetividade. O quanto o meu fazer diário é por mim e para mim e o quanto visa o reconhecimento dos outros.

Se pudéssemos falar em prevenção da saúde  psíquica, a possibilidade de fazer uma pausa para realizarmos tais questionamentos poderia ser uma forma, não só de prevenção, mas também, de cuidados com a própria subjetividade, com o “verdadeiro eu” de cada um.

Você já fez, alguma vez, essa pausa?

Márcia Cristina Martins Garcia

Psicóloga/ Psicanalista – CRP: 08/6229

Especialista, com formação em Psicanálise; Mestre em Educação com ênfase na área de Desenvolvimento Humano; atuante como Psicóloga Clínica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), desde 1996.

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