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O contexto atual para o trabalho do educador está muito complexo. Pensar na educação e no papel do educador em tempos de crise é uma tarefa árdua. Refletindo sobre minha missão como educadora, procurei inspiração num grande Mestre Padre José Kentenich.


Kentenich afirmava que: “Educar quer dizer manter contato vivo. Um contato vivo com o Infinito, mediante o contato com o finito. Se desejo manter contato vivo com o bom Deus, então um dos meios mais excelentes é manter contato vivo com os meus. Porém, sempre um contato vivo”.
A Pedagogia de Schoenstatt teve origem nas reflexões filosóficas, intelectuais e espirituais do seu fundador José Kentenich, que a considerava como “Moderna” no sentido de sua essência pedagógica – “Ela procura dar uma resposta vital e não só teórica ao fenômeno educativo, não se limita a uma determinada época. Por sua integridade, ou por sua síntese criadora e por estar alicerçada em princípios transcendentes e supratemporais, permanece sempre atual. Está ligada ao passado, atua no presente e acompanhará a marcha do tempo futuro. Por isso Kentenich a define, também, como Pedagogia Divina” (LAWAND, 2008, p. 23).
A autora explica que Kentenich denominava “divino” no sentido de “educar personalidades, formadas não apenas como cooperadoras na edificação de uma sociedade e de uma humanidade feliz, mas também, no sentido natural porque será formada por filhos de Deus, que saibam conduzir sua existência voltadas aos valores humanos e divinos” (LAWAND, 2008, p. 23).
O Sistema Pedagógico de Schoenstatt tem o amor como pedra fundamental de toda a educação. O Padre Kentenich afirma que “o amor deve torna-se lei fundamental da nossa vida e da nossa educação’’. Ele considerava o amor a maior força criadora na educação. O Movimento de Schoenstatt ressalta que “Educadores são personalidades inflamadas de amor, que nunca abandonam este amor. Verdadeiros e genuínos educadores são gênios do amor”.
De acordo com Schlickmann (2012), a visão pedagógica e psicológica que o Padre Kentenich desenvolveu no início do século XX era muito além de sua época, sobretudo no que diz respeito à concepção da personalidade firme e livre. O objetivo era que os jovens pensassem e agissem com autonomia em relação ao ambiente que estavam a sua volta.
Schlickmann (2012) afirma que o Padre Kentenich “não acreditava numa pedagogia de ordem puramente humana, fundada apenas nas próprias capacidades e na ajuda de outras pessoas. Considera impossível construir o cerne da personalidade e um projeto pedagógico dotado de sentido sem que o conceito de sentido esteja fundado na metafisica e na fé. Para alcançar a plenitude, o ser humano precisa de Deus e da graça divina. Padre Kentenich acredita que sem Deus, “modelo originário” do ser humano, toda a “formação” permanece incompleta e deficiente” (SCHLICKMANN, 2012, p. 185).
De maneira sucinta, a Pedagogia de Schoenstatt tem, como princípio básico, cinco estrelas condutoras criadas pelo Padre Kentenich, que se fundamentam no amor, na liberdade e na confiança. De acordo com as pesquisas realizadas sobre as cinco estrelas condutoras da pedagogia de Schoenstatt, representam uma luz, um caminho que leva o educador a ver o educando em seus vários aspectos do cotidiano. Também contribuem para autoeducação do educador e do educando, na adequada compreensão do conceito de homem, de escola, de família, na atribuição de responsabilidades de cada um perante sua comunidade e, sobretudo, perante a Deus.

Referências:
KENTENICH, Padre José. Linhas Fundamentais de uma pedagogia moderna para educadores católicos. Santa Maria – RS: Movimento Apostólico de Schoenstatt, 1984.
LAWAND, Dioneia. A Pedagogia de Schoenstattiana e o Colégio Mãe de Deus: contribuições para a história da educação brasileira/ Dioneia Lawand, Levino Bertan. São Paulo: Arte & Ciência, 2008.
SCHLCKMANN, Dorothea M. Tempestade de outono 1912: início de uma revolução interior. Santa Maria: Sociedade Mae Rainha, 2012.

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